3 de janeiro de 2018

Meus nomes, uma marca

Quando alguém nos conhece, certamente associa nossa personalidade e imagem ao nosso nome. Mas algumas pessoas também são capazes de desenvolver um (pré)conceito associando a outra pessoa o seu nome, quando pensa em você. Confuso?

Acompanhe: até uns 15 anos atrás eu só conhecia um Maradona, o mesmo que você deve conhecer, o argentino. Mas foi em 2002 que o Botafogo-PB contratou um meia esquerda conhecido pelo mesmo nome. Perceba então que "Maradona" é uma marca, e seu recall é muito positivo quando o assunto é futebol. Logo, quando ouvimos que um Maradona vem jogar no nosso time, pensamos no mínimo que é habilidoso. Aqui o nome passa a provocar, entre outras coisas, lembrança, além de desencadear uma pré concepção para ser ou não correspondida com a realidade.

Quando é possível e aceitável, ou simplesmente aconteceu de receber um nome ou pseudônimo famoso para incorporar automaticamente os benefícios advindos do recall, como no exemplo acima, é preciso dar conta "apenas" de incorporar também as características do original, afim de preservar a própria credibilidade. Em todos os outros casos vamos dar a própria cara pro nome. Metaforicamente falando, vamos associar a logomarca ao nome. Afim de que, quando alguém pensar, ver ou apenas lembrar daquele nome, lembre-se também de suas características. E vice versa, por que não?

Algumas características que pegam facilmente (além das físicas), são: conduta, pontualidade ou atrasos, modo de falar e se comportar em público, etc. Quando penso em João lembro de um cara ético, bem comportado, que honra seus deveres... Ou lembro de um cara conversador, malandro, sem compromisso. Mas é certo que algo estará associado ao João, além daquilo que os olhos podem ver.

Meu nome puxará a fileira de pensamentos alheios sobre mim. Portanto, não há outra definição... Meu nome, minha marca. Seu nome, sua marca.

Quanto a mim, sou tão preocupado com isso que registrei o meu nome na internet há mais de uma década. E o joaorocha.com deve permanecer no ar enquanto eu estiver vivo, para associar a mim tudo aquilo deve quanto à profissão que escolhi. 

Mas foi justamente a profissão que escolhi que escolheu outro nome pra mim. Em Junho de 2011, quando um diretor artístico decretou que uma versão internacional repaginada do meu nome seria mais charmosa e atraente ao público. Discordando, mas querendo o emprego, aceitei. Foi quando João virou Johnny e a minha marca ganhou um derivado.

Eu já trabalhava no rádio, já tinha meus rendimentos, mas aquele emprego com o nome novo estava sendo ofertado numa praça muito maior e eu estava migrando do rádio AM para FM, quase 10 anos antes da migração obrigatória das emissoras. Portanto, não creio ter tomado uma decisão tola. Ela veio, inclusive, após a conclusão do curso tecnológico de Marketing. Eu já sabia o que estava fazendo.


Foi a partir dali que surgiu o joaorocha.com/johnny e que o cara de dois nomes conseguiu dois empregos. Desde então me apresento nas redes sociais como Johnny (ojoaorocha). E as pessoas me encontram! Fecho trabalhos como João e como Johnny, gravo para agências de todo o Brasil. Encontrado por 2.000 amigos no Facebook, 2.500 no YouTube, e mais de 1.200 no Instagram.

Hoje, minha missão é fazer quem pensa no Johnny lembrar do João e quem pensar no João lembrar do Johnny. E se eu pudesse escolher um, seria o João... Mas eu não posso. 

O texto foi mais uma chance que eu não quis perder, de ligar "nós dois", como faço casualmente por aqui. E veio inspirado num questionamento pertinente recebido dias atrás.

Obrigado pela leitura e até a próxima, se Deus quiser.