4 de janeiro de 2014

Ano novo, práticas velhas!

Começa 2014 e, depois de muito tempo sem postar meus pensamentos por aqui, estou de volta! Mas não é desse retorno que vou tratar nesta postagem. As práticas velhas referidas no título são outras, bem menos amenas que o hábito de postar textos na internet.

Este é o ano da tão esperada Copa do Mundo FIFA no Brasil. Depois de anos de investimentos obscuros, desvios e muita pilantragem, tudo pronto para o evento com aquele jeitinho brasileiro. Sim, pronto com esta condição, de ser no jeitinho brasileiro! Afinal, nada de muito concreto, além dos estádios superfaturados, pode ser visto pelo país.

O caos do transporte terrestre, o caos aéreo que estourou em 2007, a questão da insegurança pública, infraestrutura para lidar com chuvas nas grandes cidades, por exemplo, e outras tantas situações que nós conhecemos tão bem, continuam pendentes de solução. Mas vai ser assim, no meio dessas pendências que nós vamos sediar a Copa do Mundo.

Charge - Seca
Eu poderia citar também o próprio desmantelo de gestão no futebol brasileiro que, para evitar um simples rebaixamento acontecido por deficiência técnica de uma equipe profissional, cogita inventar um novo modelo de campeonato em cima da hora, com aquela antiga fórmula de "times convidados". Mas esse tipo de palhaçada, apesar de feia e motivo de piada pro nosso futebol, não interfere na qualidade de vida do povo. Então vamos pular este assunto e entrar no próximo...


Outra prática antiga que continua em 2014 e também vai socar meu estômago, é a das eleições manipuladas com muito dinheiro sujo. Já tivemos longos 4 anos de presidente, governos, senadores e deputados roubando e preparando a reeleição (ou eleição dos seus) com cargos comissionados, funcionários fantasmas, sangria desenfreada de dinheiro em veículos de comunicação para sustentar mentiras, etc. Mas agora é a hora da verdade! O trabalho cessa em definitivo, para que os olhares se voltem com mais atenção ao processo de articulação política, envolvendo também os prefeitos e vereadores, que usam dos municípios para preparar o salto político seguinte. Porque aqui, as costuras das eleições de 2014 determinam o tipo de pano que se vai usar em 2016.


Estados pobres como a Paraíba, por exemplo, tem um orçamento milionário destinado à secretaria de comunicação. Prefeituras, como a de João Pessoa, também. Por mês, quantias que você nem imagina, são destinadas religiosamente a veículos de comunicação, com o único objetivo de bancar os elogios de uma gestão PÚBLICA! O governo federal também descarrega rios de dinheiro em propagandas de serviços e obras que às vezes não são nem reais. Enquanto isso, nos hospitais faltam equipamentos, nos PSF's faltam medicamentos, nas escolas faltam materiais, não tem verba para aumento de salário de professores, etc.

A verba usada para patrocinar emissoras de rádio e TV, jornais e até portais e blogs na internet, seria capaz de custear o tratamento de todos os pacientes diabéticos atendidos pelo SUS em João Pessoa, por exemplo. Porém, medicamentos faltam, mas propaganda não. Shows também não! Um só cachê de uma atração de verão na cidade, pagaria muita coisa útil também. Os exemplos da prefeitura de João Pessoa e do estado da Paraíba apenas ilustram o que acontece no país inteiro, num efeito cascata que tem início lá em Brasília.


Obras que em qualquer lugar do mundo seriam concluídas em 30 dias se arrastam por 3, 4 anos e se concluem de forma parcial (quando muito), por conta de desvios, favorecimento de construtoras, licitações fraudulentas. Aqueles que bancam as campanhas milionárias, repõem por meio de favores executados por um pilantra que deveria representar você e eu; essa é a realidade do Brasil, de ponta a ponta.

E tudo isso não é a síntese de um negativista que só enxerga o lado ruim das coisas, garanto a você... É verdade pura, límpida tal como os fatos são. A democracia não existe no Brasil, o dinheiro custeia todas as falcatruas possíveis, imagináveis e inimagináveis. Na política, os bons ficam maus e os maus se vendem ao diabo.

Por isso, neste ano de práticas velhas, faça você algo novo. Não se venda, não seja mais um funcionário fantasma que ganha no mole, não pendure sua família em favores políticos, não absolva seu bem junto com o mal da coletividade, não venda sua opinião. E não seja otário também, porque se tem quem se venda, há quem bajule político de graça. E esse não pode ser classificado de outra forma que não de otário!



E antes que minha revolta pule sobre o teclado e esbraveje todos os palavrões que me vem à mente só de lembrar nomes de certas figuras políticas, estou encerrando por aqui. Até nosso próximo texto, se ainda tiver como.